domingo, 19 de abril de 2009

128. JULIETTE AND THE LICKS, TIM Festival, 27.10.07


Se você tem pouco mais de 30 anos, Juliette Lewis representa distantes sonhos adolescentes de luxúria e desejo, inocentes e platônicos. Em filmes como "Cabo do medo" (1991), "Assassinos por natureza" (1994) e "Estranhos prazeres" (1995), Juliette chocava e excitava.

Pouco importava se ela simplesmente tinha o dedo de Robert DeNiro na boca, se estava recebendo sexo oral de um frentista, ou lavando seus seios, de patins.

Emancipada legalmente de seus pais aos 14 anos, Juliette largou a escola após três semanas. Com 15, comprou um carro e colocou no nome de um amigo. Dirigia para lá e para cá, sem carteira, apenas para burlar o sistema da Califórnia. Aos 16, foi presa por estar freqüentando um inferninho. Finalmente, aos 21, ela tirou sua carteira de motorista, depois de ser detida por recusar-se a parar em uma placa de "Pare".

Eram 20h25 quando Juliette, deusa da lascívia, entrou no palco vestindo (pouco) couro negro e uma pena vermelha na cabeça. Com velocidade máxima, avançando todos os sinais vermelhos e placas de "pare", "Mind full of daggers" abriu o show de forma avassaladora, emendando com "Sticky honey" e com a balada "I never got to tell you what I wanted to". Com seus 34 anos e seu metro e 68 de altura, Juliette contém uma vivacidade – e ferocidade – capaz de deixar muito frontman precisando considerar a aposentadoria.

Exalando sexualidade por todos os seus poros, Juliette incendiou a todos os presentes. Homens e mulheres ficaram embasbacados diante de sua performance, uma mescla de selvageria, catarse, sensualidade e competência.

A banda tem uma pegada poderosa, e mantém o pique elevado. Ao mesmo tempo, Danielle Bowden, Mallory Knox e Faith Justin (personagens dos filmes supracitados) incorporam e desincorporam em Juliette. Assim como o fantasma de Iggy Pop, onipresente.

"Purgatory blues", "Get up", "Hot kiss" e "You're speaking my language", que encerrou o show com um mosh de Juliette, mostraram que Juliette and the Licks é uma banda afiada, com uma química perfeita e uma vocalista carismática. Juliette se entrega no palco com fervor e sem pudor. Sua mistura de Stooges, MC5, AC/DC, Van Halen (com Roth) e PJ Harvey – dentre outros – deixou uma batata quente nas mãos do The Killers. A impressão – sobre a qual muitos já desconfiavam – é a de que Juliette roubou a noite, com um show sexy e virulento de 60 minutos.



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