domingo, 19 de abril de 2009

130. MEGADETH, Citibank Hall, 07.06.08

A banda californiana de thrash metal Megadeth fez na noite de sábado um show arrasador, para ficar na história. A quinta vinda do grupo liderado pelo ruivo Dave Mustaine à “Cidade Maravilhosa” pode ser comparável à primeira, em 1991, quando o Megadeth tocou no Rock in Rio 2.

Desta vez, ele veio acompanhado de Chris Broderick (guitarra), James Lomenzo (baixo) e Shawn Drover (bateria). Em comum entre ambas as apresentações, um show de técnica, velocidade e peso. Além é claro de altas doses de brutalidade musical.

Em turnê pelo Brasil após tocar em países vizinhos como Argentina e Chile, o Megadeth lançou no ano passado o bom “United abominations”, que retoma o thrash oitentista e um Mustaine inspirado como não se via desde “Rust in peace”, o melhor álbum da banda, de 1990.

O show começou às 22h15 com “Sleepwalker”, do último disco. Sem tempo para respirar, veio “Wake up dead”, do álbum “Peace sells... but who’s buying”, de 1986. A música, excepcional, apresenta em menos de quatro minutos alguns dos riffs mais inspirados, influentes e copiados da história do thrash mundial.

“Take no prisoners”, da obra-prima “Rust in peace”, foi a próxima, emendando com “Skin o' my teeth”, do álbum “Countdown of extinction”, de 1992. Acontece a primeira pausa do show e, em seguida, começa “Washington is next!”, outra do último disco. “Kick the chair”, de “The system has failed”, de 2004, é emendada com “In my darkest hour”, homenagem de Mustaine a Cliff Burton, ex-baixista do Metallica morto em um acidente durante a turnê de “Master of puppets”, de 1986.

A maideniana “Hangar 18” é a próxima, seguida pelas mais melódicas (ou comerciais, para os mais radicais) “She wolf” e “A tout le monde”. Há um mini-solo de Chris e a espetacular “Tornado of souls” tem início, com direito ao solo original de Marty Friedman – um dos melhores de todos os tempos – reproduzido nota por nota pelo novo dono da guitarra solo.

“Sweating bullets”, “Symphony of destruction” e “Peace sells” vieram em seguida, para total delírio dos presentes. Após saírem do palco, os músicos voltaram e atacaram com a clássica “Holy wars”, fechando a noite com um final apoteótico.

O show foi altamente energético, vibrante e preciso. Em São Paulo, no show da véspera, Dave Mustaine abandonou o palco pela segunda vez em sua carreira, já que estava tendo problemas com o engenheiro de som. Após interromper “Kick the chair” e se ausentar por 20 minutos, ele voltou e pediu desculpas aos paulistas, pois “era imprescindível apresentar o melhor”.

No Citibank Hall, o som estava bom, por mais que estivesse melhor em alguns lugares do que outros. A bateria de Drover, por exemplo, carecia de pressão dependendo de onde o fã estivesse.

O único senão do show foi sua curta duração – aproximadamente 80 minutos – o que fez com que ficassem de fora várias músicas como as clássicas “Lucretia”, “Hook in mouth” e as novas “Never walk alone”, “Gears of war” e “Play for blood”. “Ashes in your mouth” e “Burnt ice” ficaram de fora pela primeira vez na turnê brasileira.

Também não tocaram nenhuma música do primeiro disco, o ótimo “Killing is my business... and business is good!”, como “Mechanix”, conhecida como “The four horsemen” na versão lançada pelo Metallica em “Kill ‘em all”, de 1983.

Depois de mais de uma década de espera por uma banda com 25 anos de carreira é praticamente impossível satisfazer todos os desejos dos fãs. Por isso, o show foi altamente recomendável. Mas bem que podia ter sido um pouquinho mais longo.


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