Era pouco mais de uma hora da manhã deste sábado quando Mike Muir (vocal), Mike Clark (guitarra), Dean Pleasants (guitarra), Steve Brunner (baixo) e Dave Hidalgo Jr. (bateria) subiram ao palco do Circo Voador destruindo com “You can’t bring me down”. Era o quarto show da banda de Venice, formada em 1982, em que eu estava presente.
Em cada um, uma formação diferente, sempre com o carismático frontman de bandana liderando. Em comum a todas as apresentações, objetividade, rapidez, grooves e agressividade.
O Suicidal Tendencies continua cheio de vitalidade e virulência, com sua mistura de punk, thrash, metal e funk.
As pistas e rampas de skate contribuíam ainda mais para o tom de celebração e festa que emanava do palco.
Na platéia, sorrisos de cansaço e suor decorrentes da intensa participação na famosa “good friendly violent fun”, a roda de pogo.
Clássicos como “War inside my head”, “Possessed to skate”, “I saw your mommy”, “Subliminal”, “Two sided politics”, “Trip at the brain”, “Pledge your allegiance”, “How will I laugh tomorrow”, “Send me your money”, “Lovely” e “I want more” foram sendo despejados com brutalidade e precisão por uma banda afiada e competente. Muir já não é mais o mesmo, e tem seus momentos Tim Maia, nos quais joga o microfone pra galera.
O público, entretanto, se divertia a valer, em uma imensa roda na pista do Circo e subindo ao palco para os moshs. Alguns espertinhos subiam ao palco apenas para roubar uma das garrafas de água mineral destinada aos músicos. A formação atual – meio Suicidal, meio Infectious Grooves – mostrou que não fica devendo para nenhuma outra anterior, dando um show de peso e técnica.
O público mostrava bem como os tempos mudaram (eram várias as mulheres, bonitas, na platéia) e como o Suicidal Tendencies foi – e continua sendo – uma das bandas que conseguiu arregimentar fãs das mais variadas tribos. Skatistas, headbangers, carecas, Hells Angels e playboys conviveram pacificamente durante os 90 minutos da apresentação do grupo de crossover que já tem mais de 25 anos de carreira.
No fim, mesmo exausto, o público ainda gritava “ST” e “Suicidal” em altos brados, pedindo o retorno da banda para o palco. Em vão. Só me restou ir até o bar e comprar uma Pepsi, não acreditando que o hino “Institutionalized” não havia sido tocado (a música faria parte do bis, junto com "Join the army", mas infelizmente nenhuma das duas foi tocada, o que, na minha opinião, foi imperdoável). Beberia minha Pepsi como forma de protesto. Just one Pepsi.
“I go ‘mom, just get me a Pepsi! Please, all I want is a Pepsi!’
And she wouldn't give it to me!
All I wanted was a Pepsi, just one Pepsi,
and she wouldn't give it to me!
Just one Pepsi!”
(“Institutionalized” – Suicidal Tendencies)

0 comentários:
Postar um comentário