domingo, 19 de abril de 2009

132. SUICIDAL TENDENCIES, Circo Voador, 02.08.08

Era pouco mais de uma hora da manhã deste sábado quando Mike Muir (vocal), Mike Clark (guitarra), Dean Pleasants (guitarra), Steve Brunner (baixo) e Dave Hidalgo Jr. (bateria) subiram ao palco do Circo Voador destruindo com “You can’t bring me down”. Era o quarto show da banda de Venice, formada em 1982, em que eu estava presente.

Em cada um, uma formação diferente, sempre com o carismático frontman de bandana liderando. Em comum a todas as apresentações, objetividade, rapidez, grooves e agressividade.

O Suicidal Tendencies continua cheio de vitalidade e virulência, com sua mistura de punk, thrash, metal e funk.

As pistas e rampas de skate contribuíam ainda mais para o tom de celebração e festa que emanava do palco.

Na platéia, sorrisos de cansaço e suor decorrentes da intensa participação na famosa “good friendly violent fun”, a roda de pogo.

Clássicos como “War inside my head”, “Possessed to skate”, “I saw your mommy”, “Subliminal”, “Two sided politics”, “Trip at the brain”, “Pledge your allegiance”, “How will I laugh tomorrow”, “Send me your money”, “Lovely” e “I want more” foram sendo despejados com brutalidade e precisão por uma banda afiada e competente. Muir já não é mais o mesmo, e tem seus momentos Tim Maia, nos quais joga o microfone pra galera.

O público, entretanto, se divertia a valer, em uma imensa roda na pista do Circo e subindo ao palco para os moshs. Alguns espertinhos subiam ao palco apenas para roubar uma das garrafas de água mineral destinada aos músicos. A formação atual – meio Suicidal, meio Infectious Grooves – mostrou que não fica devendo para nenhuma outra anterior, dando um show de peso e técnica.

O público mostrava bem como os tempos mudaram (eram várias as mulheres, bonitas, na platéia) e como o Suicidal Tendencies foi – e continua sendo – uma das bandas que conseguiu arregimentar fãs das mais variadas tribos. Skatistas, headbangers, carecas, Hells Angels e playboys conviveram pacificamente durante os 90 minutos da apresentação do grupo de crossover que já tem mais de 25 anos de carreira.

No fim, mesmo exausto, o público ainda gritava “ST” e “Suicidal” em altos brados, pedindo o retorno da banda para o palco. Em vão. Só me restou ir até o bar e comprar uma Pepsi, não acreditando que o hino “Institutionalized” não havia sido tocado (a música faria parte do bis, junto com "Join the army", mas infelizmente nenhuma das duas foi tocada, o que, na minha opinião, foi imperdoável). Beberia minha Pepsi como forma de protesto. Just one Pepsi.

“I go ‘mom, just get me a Pepsi! Please, all I want is a Pepsi!’

And she wouldn't give it to me!

All I wanted was a Pepsi, just one Pepsi,

and she wouldn't give it to me!

Just one Pepsi!”

(“Institutionalized” – Suicidal Tendencies)



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