domingo, 19 de abril de 2009

137. BLOC PARTY, Circo Voador, 10.11.08

Quando cheguei no Circo, na noite de segunda-feira, temi pelo pior. Eram 21h15, o que indicava que os portões já estavam abertos e que, em uma hora, o Bloc Party estaria no palco. Temi porque havia somente meia-dúzia de gatos pingados sob os arcos da Lapa. Lá dentro, um pouco melhor. Pouco.

Ambulantes preocupados e frustrados lamentavam o prejuízo duplo: financeiro e pessoal, já que estavam perdendo a novela. Escutando a conversa, fui deixando o tempo passar até achar que devia entrar. Quando isto aconteceu, fiz algo que nunca antes havia feito em quase 20 anos de Circo Voador: sentei diante da pista vazia, no que deviam estar faltando não mais que 30 minutos para o show começar.

Após cansar de tão triste visão, fui até o bar, onde encontrei Bianca K, e Miguel. O bar – a área externa, em geral – estava mais cheio, assim como as arquibancadas. O que, na verdade, só fui me dar conta depois. Fato é que sentia que seria uma noite especial. Assim como com o Franz Ferdinand, gostava muito dos discos do Bloc Party para que o show pudesse ser assim tão decepcionante.

Inclusive, preocupado pela curta duração do show do The Cult, no mesmo local e dia da semana, pouco tempo atrás, escrevi no site do RioShow: “espera-se que o show tenha, no mínimo, 90 minutos”, pois o Cult tocou somente por 62, deixando de fora, por exemplo, o clássico “Revolution”. O Suicidal Tendencies, meses antes, também não havia tocado seu clássico maior, “Institutionalized”, em um show também de curta duração. Ainda que tenha sido excelente, como o Cult.

Além disso, o Circo Voador tem um clima – maldosos poderiam dizer, “maresia” – que, dependendo do show, envolve platéia e banda, transformando-os em um novo animal. Felizmente, no Circo, essa mística é tão real que me deixava despreocupado quanto à qualidade do show. Só pensava que seria como o FF, e que quem deixasse de ver nunca saberia o que havia perdido. Banda no auge, tocando sozinha no Circo?

E eis que o Bloc Party entra no palco e faz um show devastador. Histórico, antológico, memorável, todos servem também. Costurando músicas de seus três discos – o excelente “Silent alarm”, eleito melhor disco de 2005 pela NME, o cocainômano e melancólico “A weekend in the city” e o recém-lançado “Intimacy” – o show começou quente. E foi esquentando, esquentando, até que, em pouco tempo, todos, nas pistas e arquibancadas, pulavam, dançavam e cantavam, como se estivessem em um grande baile, ou festa.

Assim como no FF, os músicos sentiram isso, e retribuíram. O vocalista, especialmente, parecia estar curtindo como nunca. Pelo menos foi o que ele disse, depois do final apoteótico de “Banquet”, o melhor momento de muitos melhores momentos de um show eletrizante. Kele abraçou os fãs, se jogou sobre eles, dançou e, acima de tudo, foi um frontman carismático e competente, muito bem assessorado por sua banda.

Principalmente, o dínamo na bateria, que transforma as músicas do Bloc Party em uma verdadeira new wave do Terceiro Milênio. As guitarras rasgantes e o baixo pulsante se integram muito bem no intuito de transformar a pista em uma verdadeira pista de dança. Quem foi, aproveitou.

Hunting for witches
Positive tension

Blue light
Trojan horse
Song for Clay (Disappear here)

Banquet

Letter to my son

Talons

Mercury

This modern love

The prayer

Like eating glass

Ares
Ion square

Flux
Helicopter

Price of gas

She’s hearing voices

0 comentários: